HUMILHADOS: O TELEFONEMA QUE TERMINOU COM A GUERRA NA UCRÂNIA

A guerra na Ucrânia terminou.
Não com tratados solenes nem com aperto de mãos ao pôr do sol, mas com um simples telefonema.
Donald Trump, sempre teatral, pegou no telefone e ligou a Vladimir Putin.
O conteúdo da conversa não foi divulgado em detalhe, mas os resultados foram imediatos: a guerra estava acabada.
Putin venceu!
Não houve mesa de negociação, não houve cedência de ambas as partes.
Antes de qualquer reunião, já a Ucrânia estava derrotada.
Os termos foram claros: a Ucrânia nunca entrará na OTAN/NATO, os Estados Unidos deixarão de financiar incondicionalmente o país e, para agravar a situação, Kiev terá de assumir a colossal dívida que acumulou com os pacotes de ajuda da administração Biden.
O que falta decidir?
Apenas uma formalidade: manterá a Rússia os territórios ocupados ou levará mais alguns?
Odessa está sobre a mesa...
A história repete-se, e os poderosos ditam o destino dos mais fracos.
Putin sai vitorioso, mas a que custo?
A economia russa foi golpeada, os seus soldados pagaram com sangue, o seu povo sofreu sanções.
Mas, no fim, conseguiu tudo o que queria e com poucas consequências para si próprio (que é o que mais lhe interessa), para a oligarquia do Kremlin e o regime em si, antes pelo contrário.
O povo, unido em volta de um mesmo ideal, o "ataque" à sua "Mãe Rússia", à sua "Rodina", congrega-se em volta do seu líder, do seu Czar, que embora seja muito mau, como já tive oportunidade de aqui escrever, é o melhor que o povo russo teve desde os tempos de Ivan I.
Putin, assim, mais uma vez, mostrou ao mundo que a força e a paciência superam ideais e promessas vãs.
Afinal, o crime compensa.
E os derrotados?
São três, e cada um deles carrega o peso da humilhação.
O primeiro é Volodymyr Zelensky.
O comediante tornado presidente acreditou que poderia governar a Ucrânia como se fosse uma série de televisão.
No ecrã, os heróis triunfam, os vilões são derrotados e a justiça sempre prevalece.
Mas a realidade política não se rege por guiões cuidadosamente escritos nem por enredos que garantem finais felizes.
A arte imita a vida, mas a vida raramente imita a arte.
Governa-se com estratégia, não com discursos inflamados; com alianças reais, não com likes e hashtags.
Zelensky ascendeu ao poder num tempo em que a política se funde com o entretenimento, onde a perceção da força vale mais do que a força real.
A sua campanha foi uma obra-prima de comunicação moderna, mas governar um país em guerra exige mais do que carisma e boas intenções: exige pragmatismo, capacidade negocial e uma compreensão profunda do xadrez geopolítico.
E não basta acreditar que a história recompensa os bem-intencionados.
A história é implacável com os ingénuos.
Acreditou na proteção incondicional do Ocidente, confiando que Washington, Bruxelas e Londres não permitiriam que a Ucrânia fosse esmagada.
Mas a diplomacia é um jogo cínico e os interesses nacionais falam sempre mais alto do que promessas de solidariedade.
A retórica foi grandiosa, mas o apoio prático revelou-se condicionado, insuficiente e muitas vezes tardio.
O Ocidente prometeu muito, mas nunca se comprometeu verdadeiramente a travar uma guerra que não é sua.
O resultado dessa crença?
Um país devastado, cidades em escombros, milhões de deslocados.
O sonho europeu da Ucrânia tornou-se um pesadelo de destruição.
Kiev tornou-se um símbolo de resistência, mas também de sofrimento.
O custo da guerra não se mede apenas em baixas militares, mas em vidas despedaçadas, em infâncias roubadas, em futuros adiados.
A economia colapsou, mergulhada numa crise sem precedentes.
A corrupção, os cartéis, as máfias e o crime organizado assumirão facilmente o domínio num Estado sem quadros, sem ordem, sem estrutura.
A reconstrução, quando vier, será longa e dolorosa.
O endividamento do Estado cresce de forma galopante, atrelando o futuro das próximas gerações a uma hipoteca imposta pelas circunstâncias.
Cada munição disparada hoje é um euro que faltará para escolas, hospitais, infraestruturas.
O preço do idealismo pode ser cruelmente concreto.
Os ucranianos pagam um preço amargo por uma guerra que não escolheram, mas que Zelensky assumiu como inevitável.
A diplomacia foi relegada para segundo plano, os canais de negociação foram fechados demasiado cedo.
A ideia de que a guerra poderia ser vencida com coragem e discursos inflamados revelou-se um erro de cálculo trágico.
No palco internacional, Zelensky tornou-se um protagonista admirado por muitos, um símbolo de resistência.
Mas a liderança não se mede apenas pelo carácter, mede-se pelos resultados.
E o balanço é sombrio.
Heróis podem inspirar, mas são os estrategas que vencem guerras e garantem a sobrevivência dos seus povos.
A tragédia da Ucrânia é que foi empurrada para um tabuleiro onde não detinha as peças decisivas (para onde foi atraído por Joe Biden desesperado por aumentar a popularidade interna para vencer as eleições que nunca chegou a disputar).
Jogou o jogo dos grandes sem ter a proteção absoluta de nenhum deles.
Apostou na moralidade da causa (que a tem em pleno), mas a política internacional raramente é um palco de justiça.
O preço da ingenuidade paga-se em sangue e ruínas.
A lição, cruel e inegável, ecoará para sempre na memória de um povo que merecia mais do que promessas vazias.
O futuro da Ucrânia está agora coberto por uma nuvem de incerteza, e a história julgará Zelensky não pelo seu idealismo, mas pelo seu legado.
O segundo grande humilhado neste xadrez geopolítico é a União Europeia e a OTAN/NATO.
Durante anos, prometeram segurança, garantiram proteção, fizeram juras de solidariedade.
Mas quando chegou o momento da verdade, ofereceram pouco mais do que palavras vazias.
Discursos inflamados, sanções severas, condenações firmes – tudo isso ficou aquém do essencial.
Porque a realidade, crua e implacável, não se combate com resoluções diplomáticas ou promessas abstratas.
A Ucrânia caiu, e com ela caiu também a ilusão de uma Europa forte e preparada para defender os seus próprios valores.
Os líderes europeus, outrora confiantes na força da sua aliança, mostraram-se titubeantes, divididos, incompetentes, incapazes de tomar decisões à altura da gravidade do momento.
As reuniões multiplicaram-se, os comunicados sucederam-se, mas no terreno, onde realmente importava, nada mudou.
A Ucrânia pediu mais do que apoio moral.
Precisava de ações concretas, de medidas eficazes, de uma resposta à altura da agressão que enfrentava.
No entanto, encontrou apenas hesitação e receio.
A dependência energética da Europa foi exposta de forma brutal.
Anos de complacência, de ilusões sobre a fiabilidade de parcerias estratégicas, revelaram-se agora um fardo pesado.
A Rússia, que sempre soube jogar com o pragmatismo europeu, manipulou esta fragilidade com mestria.
O que se seguiu foi um espetáculo de impotência: sanções que demoraram a ser impostas, medidas que chegaram tarde demais, discursos que soaram cada vez mais ocos à medida que a realidade se impunha.
A NATO, apresentada durante décadas como o escudo inviolável do Ocidente, mostrou-se incapaz de cumprir a sua promessa fundamental: dissuadir e, se necessário, defender.
Os seus tratados falam de unidade, de força coletiva, de resposta rápida.
Mas onde estavam as tropas quando a Ucrânia mais precisava?
Onde estava a força militar que deveria garantir a estabilidade do continente?
Ficou claro que a aliança, tantas vezes vista como um garante de paz, não tinha meios – ou vontade – para travar o inevitável.
Donald Trump, tantas vezes criticado por dizer que a OTAN/NATO estava obsoleta, encontrou agora uma confirmação amarga para as suas palavras.
Durante a sua presidência, alertou para a falta de investimento dos aliados, para a dependência excessiva dos Estados Unidos, para a ilusão de segurança que a organização oferecia.
Muitos riram-se, ignoraram-no, trataram as suas palavras como exageros de um populista.
Mas a história tem uma forma cruel de julgar os incautos: aquilo que parecia retórica alarmista revelou-se, afinal, um diagnóstico certeiro.
A queda da Ucrânia não é apenas uma tragédia para os ucranianos.
É um símbolo da fragilidade europeia, da incapacidade do Ocidente de proteger os seus valores sem a sombra tutelar de Washington.
Os europeus, habituados a uma paz construída sobre alianças e tratados, viram-se confrontados com uma verdade dura: a segurança não se garante com palavras, mas com poder real.
E esse poder, como ficou evidente, não estava nas suas mãos.
A geopolítica não perdoa ingenuidades.
Durante décadas, a Europa acreditou que a paz era um dado adquirido, que o progresso económico bastava para evitar conflitos, que a diplomacia resolvia tudo.
Mas a guerra, essa velha senhora que nunca abandona verdadeiramente a História, voltou a lembrar-nos que o mundo não é regido por boas intenções.
Sem força, sem estratégia, sem vontade real de defender o que se proclama, as grandes ideias tornam-se meros slogans vazios.
Olhando para o futuro, a Europa enfrenta uma escolha crucial.
Continuará a depender da proteção americana, aceitando o seu papel de actor secundário na cena global?
Ou aprenderá finalmente a erguer a sua própria defesa, a construir uma política de segurança que não dependa da vontade de terceiros?
A resposta a esta questão determinará o rumo do continente nas próximas décadas.
A OTAN/NATO, se quiser manter-se relevante, terá de se reinventar (como já afirmei neste espaço).
Não bastam promessas de reforço militar ou discursos sobre unidade.
Será necessária uma revisão profunda das suas prioridades, um compromisso real com a segurança dos seus membros e dos seus parceiros estratégicos.
Sem isso, continuará a ser apenas uma relíquia da Guerra Fria, uma estrutura poderosa no papel, mas irrelevante na prática.
O mundo mudou!
A Europa, se quiser sobreviver como potência geopolítica, terá de mudar também.
Deixar de lado ilusões, os "wokismos", reconhecer as suas fraquezas e, acima de tudo, agir com a determinação que até agora lhe faltou.
O tempo das promessas acabou!
O tempo das decisões chegou!
O terceiro humilhado é o Direito Internacional.
O Direito Internacional, não é, pelo menos acreditávamos, somente uma disciplina jurídica, uma convenção entre Estados ou um conjunto de tratados escritos em papel.
É, ou acreditávamos que era, a promessa de que a força não ditará o destino das nações, de que a civilização superou a barbárie e de que a palavra dada tem um peso maior do que o canhão apontado.
Mas essa promessa foi quebrada.
Com esta capitulação, a lei deixou de ser lei.
A Rússia, ao tomar territórios pela força e ser recompensada pela sua agressão, expôs a fragilidade das normas que sustentam a ordem mundial.
Se um Estado pode alterar fronteiras sem consequências reais, que valor tem então a soberania? O que impede outros países de seguir o mesmo caminho? Se a ilegalidade triunfa sem resistência, o próprio conceito de justiça torna-se uma ilusão desfeita pelo vento da indiferença.
Hoje é a Ucrânia, amanhã poderá ser Taiwan.
Se as grandes potências percebem que a violência compensa e que a comunidade internacional recua em vez de reagir, o que as impedirá de avançar?
A guerra já não é um último recurso, mas uma ferramenta eficaz para redesenhar mapas e moldar o mundo segundo a vontade do mais forte.
O precedente que se cria é perigoso.
A história ensina-nos que quando as regras deixam de ser respeitadas, o caos infiltra-se nas fissuras da ordem.
Se a integridade territorial se torna uma questão de quem tem mais força militar, então o regresso a um mundo pré-legalista, onde impérios se erguiam à custa da destruição dos mais fracos, é inevitável.
Não há equilíbrio sem regras, nem paz sem justiça.
O Direito Internacional não pode ser um adorno diplomático, útil apenas quando convém.
Tem de ser um escudo contra a arbitrariedade e um travão à desordem.
Mas se os próprios guardiões desse direito baixam os braços, quem restará para defender os princípios que supostamente sustentam o mundo moderno?
As instituições que deveriam fazer cumprir estas regras parecem agora impotentes, incapazes de enfrentar realidades brutais com mais do que palavras de condenação.
Sem ação, a sua autoridade dissolve-se, tornando-se irrelevante perante a força bruta.
O que é um tratado senão tinta num papel, se ninguém está disposto a garantir que seja respeitado?
Vivemos num tempo decisivo!
As escolhas feitas hoje definirão o mundo das próximas décadas.
O que está em jogo não é apenas um território, mas o próprio futuro da ordem mundial.
Continuaremos a permitir que a lei seja dobrada até se partir?
Ou reafirmaremos que há princípios que não podem ser negociados?
A erosão do Direito Internacional não é apenas um problema dos diplomatas e dos governantes.
Afeta-nos a todos.
Quando a lei perde valor, a insegurança espalha-se como um vírus, atingindo nações, empresas, cidadãos.
As guerras de hoje são as crises económicas de amanhã, as deslocações em massa, a incerteza global.
Se nada for feito, o regresso à selva é inevitável. E na selva, não há espaço para tratados ou discursos. Há apenas força e sobrevivência.
O mundo que conhecemos – com todas as suas imperfeições, mas ainda sustentado por um mínimo de ordem – pode estar a desaparecer diante dos nossos olhos.
A pergunta que se impõe é simples: vamos assistir impávidos ao seu colapso ou teremos a coragem de travá-lo enquanto ainda há tempo?
O momento de agir é agora!
Cada adiamento, cada hesitação, cada compromisso frouxo é um passo em direção ao abismo.
Se ainda acreditamos num mundo onde a lei tem primazia sobre a violência, onde a justiça não é apenas uma palavra vã, então está na hora de o provar.
Mas não são apenas três os derrotados.
Somos todos!
Perdemos segurança, perdemos previsibilidade, perdemos a ilusão de que o mundo estava ancorado num equilíbrio duradouro.
O telefonema que selou este destino foi mais do que uma decisão política: foi um epitáfio para um sistema que, com todas as suas falhas, ainda oferecia um sentido de ordem.
Agora, sobra o caos mascarado de realismo geopolítico.
A guerra na Ucrânia não era inevitável!
Podia ter sido evitada pela diplomacia, contida pela prudência, vencida pela razão.
Mas falhámos!
Falhámos enquanto líderes, enquanto instituições, enquanto sociedades que permitiram que o cinismo e a força bruta falassem mais alto do que a negociação e o compromisso.
O mundo de ontem, que já vacilava sobre os seus próprios alicerces, ruiu.
O que se ergue no seu lugar é um campo de batalha sem fronteiras definidas, onde os mais fortes traçam novas linhas no mapa e os mais fracos pagam o preço do silêncio e da submissão.
As regras que antes serviam de escudo aos pequenos e aos vulneráveis foram rasgadas.
No seu lugar, cresce uma selva política onde a lei não é mais do que um pretexto, e a força, o único argumento que importa.
Mas o perigo não reside apenas na guerra visível, nos tanques que avançam, nos mísseis que cruzam os céus.
Reside na normalização da brutalidade, na aceitação tácita de que viver num mundo onde as promessas valem pouco e os tratados são "papeis pintados com tinta", como escreveu Fernando Pessoa no seu grande poema "Liberdade", é o novo normal.
Reside na erosão do que nos distinguia de séculos passados, onde a guerra era apenas uma extensão natural da ambição dos poderosos.
O problema não é apenas quem vence ou perde no campo de batalha.
É a mensagem que fica.
Se a força prevalece sobre o direito, então qual será o próximo limiar a ser transposto?
Que outras fronteiras, físicas ou morais, serão testadas e quebradas?
O precedente que se cria hoje molda o mundo de amanhã.
E se o que fica é o triunfo do mais forte sobre o mais fraco, então que esperança resta para os que ainda acreditam em justiça?
Neste jogo brutal, os custos não se medem apenas em vidas perdidas ou cidades destruídas.
Medem-se no medo que se infiltra nas democracias, na corrosão das instituições, na desconfiança que se espalha entre nações outrora aliadas, no aumento meteórico dos populismos, dos fanatismos, dos extremismos, dos radicalismos.
O mundo tornou-se mais imprevisível, mais frágil, mais frio.
Quem acreditava que a história caminhava inevitavelmente para o progresso, para mais paz e mais cooperação, vê agora esse otimismo desfeito como vidro estilhaçado.
E, no entanto, entre os destroços, há escolhas a fazer.
Aceitamos este novo paradigma sem resistência ou procuramos resgatar o que ainda pode ser salvo?
A história nunca foi um caminho linear, mas um ciclo de avanços e retrocessos.
O que definirá a nossa geração não é a tragédia da guerra, mas a resposta que lhe damos.
Há uma linha ténue entre aceitar o mundo como está ou lutar para o moldar em algo mais justo.
A indiferença nunca foi uma solução.
Se há algo que a história ensina, é que a passividade perante a agressão é apenas um convite para mais agressão.
Se não defendermos as regras agora, quando voltaremos a tê-las?
Se não protegermos os princípios hoje, quem os respeitará amanhã?
O custo da inação é sempre mais alto do que o da resistência.
Este não é apenas um conflito entre nações.
É uma batalha entre visões de mundo.
De um lado, a crença de que os acordos e as leis ainda têm valor. Do outro, a certeza de que apenas a força interessa.
No fim, a escolha não pertence apenas aos governos, mas a cada um de nós.
Somos nós que decidimos se aceitamos viver num mundo onde tudo é negociável, até a liberdade e a soberania.
Porque a derrota não é apenas perder uma guerra...
É perder a capacidade de sonhar com um mundo melhor!
E isso, talvez, seja a pior das rendições.
O telefone tocou.
Putin atendeu.
E o mundo mudou.