A SUPREMA ARTE DE SE FAZER POLÍTICA!

21-03-2025

A política, no seu sentido mais puro, é a gestão eficiente daquilo que pertence a todos, a coisa pública.

É a capacidade de resolver problemas, de encontrar soluções práticas e de gerir, com sabedoria, recursos que são sempre limitados face às exigências e necessidades crescentes das populações.

No fundo, fazer política é organizar a sociedade de forma a proporcionar bem-estar, segurança e justiça.

É uma tarefa árdua, que exige pragmatismo, visão e uma constante busca pelo equilíbrio entre o que é possível e o que é desejável.

No entanto, a política é também muito mais do que isso.

É, ou deveria ser, uma arte.

A arte de fazer política tem vindo a desvanecer-se.

Perdeu-se o brilho nos discursos, a elegância no debate, a capacidade de confrontar ideias com elevação e de transformar desacordos em pontes para consensos.

O parlamentarismo, outrora palco de discussões que inspiravam e cativavam, tornou-se numa arena técnica e, muitas vezes, desinteressante.

A palavra "tribuno", que outrora descrevia aqueles que falavam para o povo com paixão e propósito, parece agora pertencer a um léxico distante, quase obsoleto.

Ser político não é, ou pelo menos não deveria ser, apenas um exercício técnico.

É preciso saber gerir, claro, mas é igualmente essencial saber cativar, mobilizar, criar um sentido de pertença e de propósito comum.

É necessário fazer as pessoas acreditarem, não apenas com argumentos racionais, mas também com emoção, com carisma, com a capacidade de tocar no coração de quem escuta.

Hoje, porém, somos governados por técnicos, por burocratas.

Gente que sabe ler gráficos, interpretar estatísticas, mas que raramente olha nos olhos de quem é afetado pelas suas decisões.

O que falta à política atual é alma.

Falta a capacidade de encantar, de transformar palavras em movimentos, de transformar ideias em sonhos coletivos.

Os líderes de hoje, em muitos casos, não lideram; apenas gerem.

Não inspiram, não mobilizam, não apaixonam.

Limitam-se a cumprir funções, muitas vezes de forma competente, mas sem a centelha que transforma uma boa gestão em grande política.

Antigamente, a política era palco para verdadeiros artistas.

Não no sentido de encenação, mas no sentido de autenticidade e capacidade de criação.

Havia líderes que sabiam usar a palavra como uma ferramenta poderosa, que conseguiam, através do discurso, unir pessoas em torno de um ideal.

Havia debates acesos, mas civilizados, onde as ideias eram combatidas com inteligência, e não com insultos ou simplismos.

Hoje, os políticos falam para câmaras e não para pessoas.

Recorrem a frases feitas, a chavões, a discursos vazios que são mais uma obrigação protocolar do que uma oportunidade de conexão.

Não há emoção, não há risco, não há aquele brilho nos olhos de quem acredita realmente no que está a dizer.

E, sem essa paixão, como podemos esperar que as pessoas se sintam inspiradas?

A política, no seu melhor, é uma mistura de razão e emoção.

É um ato de equilíbrio entre o engenho e a arte.

É encontrar soluções práticas para problemas concretos, mas também é criar esperança, gerar entusiasmo, despertar vontades.

É tanto planeamento como inspiração, tanto execução como visão.

E esta segunda parte, esta arte que transforma gestores em líderes, parece estar a desaparecer.

Precisamos de voltar a ter artistas na política.

Pessoas que saibam, com palavras, gestos e ações, fazer-nos acreditar num futuro melhor.

Precisamos de oradores que nos arrepiem, que nos façam levantar das cadeiras, que nos façam querer ser parte da mudança.

Pessoas que nos lembrem que a política é, antes de mais, um serviço ao bem comum, e que esse serviço deve ser feito com paixão, com entrega e com autenticidade.

O caminho não está, como muitos dizem, em rejeitar a política, mas em exigir mais dela.

Exigir que ela volte a ser feita por quem sabe sonhar e fazer sonhar.

Por quem sabe trabalhar com método, mas também com coração.

Por quem sabe usar o poder não como um fim, mas como um meio para transformar vidas.

A política não pode ser apenas números, tabelas e relatórios. Não pode ser apenas sobre cortar despesas ou aumentar receitas.

Tem de ser sobre pessoas.

Tem de ser sobre valores, ideais e objetivos maiores.

Tem de ser sobre a capacidade de olhar para além do imediato, de traçar um caminho que inspire e mobilize.

Falta-nos a paixão!

Falta-nos o sonho!

Falta-nos a arte de acreditar!

E sem isso, a política transforma-se apenas em gestão, em mera administração do dia-a-dia.

O que é necessário é trazer de volta a grandeza, o sentido de missão, o entusiasmo que faz com que a política seja mais do que um trabalho; que seja uma vocação.

A política deve ser uma ponte, não uma barreira!

Um palco de ideias, não um campo de batalha!

Um espaço para construir, não para dividir!

E isso exige coragem, criatividade e, acima de tudo, humanidade.

Exige líderes que saibam combinar razão com emoção, pragmatismo com sonho, engenho com arte.

O futuro depende de recuperarmos esta dimensão perdida.

Depende de voltarmos a acreditar que a política pode ser feita com grandeza, com elevação, com paixão.

E depende de exigirmos que aqueles que nos representam estejam à altura desse desafio.

Porque a política, no fim de contas, é nossa.

É sobre nós.

E merece muito mais do que aquilo a que nos temos resignado.